Foto de Bruno Monteiro
A moda está dentro de nós.
Pode haver mil e uma revistas, mil e um criadores a dizer que este ano se usa isto e aquilo, mas a última decisão é nossa. E, haverá, afinal, melhor moda do que aquela que nos faz sentir bem, que nos faz sentir que somos nós mesmos?
Hoje, vamos pegar numa dessas modas, uma das modas que são muito mais que isso, são uma perspectiva e uma posição no mundo: a moda dos chapéus.
Saindo à rua, há chapéus por todo o lado: seja nas pessoas, seja nos manequins das montras das lojas… É caso para dizer que “
chapéus há muitos”.
Mas afinal, porquê o chapéu?
Ou porque faz “
um estilo porreiro” ou porque se dança “
hiphop e chapéus e óculos de sol não podem faltar”. Assim disseram os constituintes de um grupo de hiphop do Algarve que, no passado sábado veio actuar à Universidade.
Se eles não se imaginam a sair de casa sem o boné, sem os óculos, sem as argolas nas orelhas, já muitas outras pessoas, que há primeira vista nada têm a ver com hiphop, também não deixam o chapéu em casa. Seja o velhote que está no café a ver o jogo de futebol, seja a rapariga que aproveitou o fim de tarde para andar de bicicleta, sejam os rapazes que discutem no parque de estacionamento. "
Tem estado muito sol" diz o senhor de 60 anos que toma o seu fininho e vê um pouco de televisão, sentado numa mesa do café que frequenta todos os dias. "
Sair de casa sem o boné? Nem pensar! Sentia-me nu... Já faz de tal forma parte de mim que nem sequer se põe essa questão, topas?", assim se refere o Snooky, um dos membros do grupo de Hiphop, à possibilidade de sair de casa sem o seu boné.
Para quem olha de fora, não é mais que um mero acessório. No entanto, existe gente para quem o chapéu faz parte de tudo. De tal forma que, nas suas cabeças não vislumbra um dia "para lá do chapéu". Propaga-se o culto ao chapéu, como já se propagou, há tempos, o culto das mini-saias ou o culto dos relógios. E entender esta devoção por chapéus está mesmo só ao alcance de quem o propaga.